sexta-feira, 29 de junho de 2012

Jesus glorificado se despede de Maria, o “puríssimo e ardentíssimo Cibório”. “Tudo, tudo, tudo [...] vós tendes por Maria! Devereis amá-la e bendizê-la a cada respiração vossa”



[...] Se vós dizeis que Deus está no Céu e na terra e em todo lugar, porque podeis duvidar que Eu pudesse estar simultaneamente no Céu e no Coração de Maria, que era um vivo Céu? Se vós credes que Eu esteja no Sacramento e guardado em vossos cibórios, porque podeis duvidar que Eu estivesse neste puríssimo e ardentíssímo Cibório de minha Mãe?
O que é a Eucaristia? É o meu Corpo e o meu Sangue unidos à minha Alma e à minha Divindade. Pois bem, quando Ela engravidou de Mim, o que possuía no seio de diferente? Não tinha o Filho de Deus, o Verbo do Pai com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade? Vós não me tendes talvez porque Maria me teve e me deu a vós, depois de ter-me levado por nove meses? Pois bem, como Eu deixei o Céu para permanecer no seio de Maria, assim agora que deixo a terra elejo o seio de Maria como meu Cibório. E qual cibório, em uma catedral, mais belo e santo do que este?
Tudo, tudo, tudo, mas compreendei uma vez, vós tendes por Maria! Devereis amá-la e bendizê-la a cada respiração vossa.
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637. Adeus à Mãe antes de ascender ao Pai. Alcançamos tudo por Maria.

22 de fevereiro de 1944.

Vejo sempre o quarto habitado por Maria. Os sinais da Paixão desapareceram.
            A Virgem está sentada e lê. Devem ser livros sagrados, porque não lê certamente outra coisa que o rolo que tem nas mãos. Não está mais torturada, O seu rosto permanece mais grave desde a Paixão, mais maduro. Mas não está mais trágico o seu rosto. Agora está majestoso mas sereno.
            Parece manhã, porque há já um belo sol que da janela aberta, entra no quarto quieto, mas se vê que o jardim, fechado com altos muros, sobre o qual se abre a janela, está ainda todo fresco de orvalho.
Entra Jesus. Tem ainda a sua esplêndida veste da manhã da Ressurreição. O seu Rosto emana fulgor e as suas Feridas são pequenos sóis.
            Maria se ajoelha sorrindo e depois se levanta e o beija sobre a Mão direita. Jesus a abraça ao Coração e a beija na fronte, sorrindo, e lhe pede um beijo que Maria dá também sobre a Fronte dele.
             "Mamãe! O meu tempo de permanência sobre a terra terminou. Subo ao Pai. Vim dar-te um adeus particular e mostrar-me a ti ainda uma vez, assim como estarei no Céu. Não pude mostrar-me aos homens com esta veste de esplendor. Não teriam podido suportar a beleza do meu Corpo glorificado. Essa é muito superior às suas possibilidades. Mas a ti, Mamãe, sim. E venho alegrar-te ainda um vez com ela.
            Beija as minhas feridas. Que Eu sinta no Céu um perfume dos teus lábios e que permaneça sobre esses a doçura do meu Sangue.
            Mas estejas segura, Mamãe, que Eu não te deixarei jamais. Sairei de teu coração naqueles poucos instantes necessários à consagração do Pão e do Vinho, para retornar depois de ter-me separado de ti com fadiga, com uma ânsia de amor semelhante à tua, ó meu Céu vivo do qual Eu sou o Céu.
            Não estaremos jamais tão unidos como de agora em diante. Antes havia a minha incapacidade embrional, depois a minha infância, depois a luta da vida e do trabalho, e depois a missão, e depois a Cruz e o Sepulcro a manter-me distante e impedido de dizer-te quanto te amo. Mas agora serei em ti não apenas criatura que se forma, não mais junto a ti entre os obstáculos do mundo que impede a fusão de dois que se amam. Agora estarei em ti como Deus, e nada, nada na terra e no Céu será apto a separar-me de ti, tu de Mim, Mãe santa. Direi a ti palavras de inefável amor, darei carícias de inexprimível doçura. E tu me amarás por quem não me ama.
            Oh! Tu plenificas a medida do amor, que o mundo não dará ao Cristo, com teu amor perfeito, Mamãe. Por isso, mais que um adeus, a minha é uma saudação de quem sai por um momento, como se fosse colher rosas e lírios neste jardim florido. Mas te trarei do Céu rosas e outros lírios mais belos que estes, aqui floridos. Plenificarei o teu coração, Mamãe, para fazer-te esquecer a podridão da terra, que não quer ser santa, e antecipar-te a auréola do bem-aventurado paraíso, onde és esperada com tanto amor.
            E o Amor, que não sabe esperar, virá sobre ti dentro de dez dias. Faze-te bela, com tua mais bela alegria, ó Mãe Virgem, que o teu Esposo vem. O inverno já passou... as vinhas em flor exalam o seu perfume, e Ele canta: "Vem, ó toda bela. Vem, ó minha Esposa, serás coroada". Do seu Fogo te coroará, ó Santa, e te fará feliz com o teu Espírito, que se infundirá em ti com todos os seus esplendores, ó Rainha da Sabedoria, sua Rainha, que pudeste compreendê-lo desde a manhã de tua vida e amá-lo como criatura no mundo jamais o amou.
Mãe. Eu subo ao nosso Pai. Sobre ti, Bendita, a bênção do teu Filho."
            Maria irradia êxtase, no quarto que permanece luminoso pela luz de Cristo.

Diz Jesus:
"Não discuti, ó homens, se era ou não era possível que Eu mudasse a veste. Não era mais o Homem ligado às necessidades do homem. Tinha o Universo de escabelo aos meus pés e todas as potências como servas obedientes. E se, enquanto era Evangelizador, tinha podido transfigurar-me no Tabor, não teria podido, tornado o Cristo glorioso, transfigurar-me para minha Mãe? Antes, não: mudar-me para os outros homens e aparecer a Ela assim como Eu era então: divino, glorioso, transfigurado, de Homem como me mostrava a todos, naquele que Eu era na realidade. Havia me visto, pobre Mãe, transfigurado de sofrimentos. Era justo que me visse transfigurado pela Glória.
Não discuti se Eu podia estar realmente em Maria. Se vós dizeis que Deus está no Céu e na terra e em todo lugar, porque podeis duvidar que Eu pudesse estar simultaneamente no Céu e no Coração de Maria, que era um vivo Céu? Se vós credes que Eu esteja no Sacramento e guardado em vossos cibórios, porque podeis duvidar que Eu estivesse neste puríssimo e ardentíssímo Cibório de minha Mãe?
            O que é a Eucaristia? É o meu Corpo e o meu Sangue unidos à minha Alma e à minha Divindade. Pois bem, quando Ela engravidou de Mim, o que possuía no seio de diferente? Não tinha o Filho de Deus, o Verbo do Pai com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade? Vós não me tendes talvez porque Maria me teve e me deu a vós, depois de ter-me levado por nove meses? Pois bem, como Eu deixei o Céu para permanecer no seio de Maria, assim agora que deixo a terra elejo o seio de Maria como meu Cibório. E qual cibório, em uma catedral, mais belo e santo do que este?
            A comunhão é um milagre de amor que Eu fiz para vós, homens. Mas, em cima de meu pensamento de amor raiava o pensamento de infinito amor para poder viver com minha Mãe e de fazê-la viver comigo até [que] nos reuníssemos no Céu.
            O primeiro milagre Eu o fiz para alegria de Maria, em Caná da Galiléia. O último milagre, antes dos últimos milagres, para o conforto de Maria, em Jerusalém. A Eucaristia e o véu de Verônica. Este, para dar um pouco de mel à amargura da Desolada. O outro, para não fazê-la sentir que não havia mais Jesus sobre a terra.
            Tudo, tudo, tudo, mas compreendei uma vez, vós tendes por Maria! Devereis amá-la e bendizê-la a cada respiração vossa.
            O véu de Verônica é também um punhal para a vossa alma cética. Confrontai, vós que procedeis por áridos exames, ó racionalistas, ó tépidos, ó vacilantes na fé, o Rosto do Sudário e aquele da Síndone. Um é o Rosto de um vivo, o outro é aquele de um morto. Mas comprimento, largura, caracteres somáticos, características, são iguais. Sobreponde as imagens. Vereis que correspondem. Sou Eu . Eu que queria recordar-me como era, e como me tornei por amor de vós. Se não fosseis perdidos, cegos, deveriam bastar aqueles dois Rostos para trazer-vos ao amor, ao arrependimento, a Deus.
            O Filho de Deus vos deixa, abençoando-vos com o Pai e com o Espírito Santo."

[Valtorta, Maria. O Evangelho como me foi revelado. Isola del Liri - Itália: Centro Editoriale Valtortiano, 2002. v. 10. p. 404-407] (grifos nossos)

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