terça-feira, 5 de abril de 2011

O Quinto Mandamento - Não Matarás

O Quinto Mandamento – Não Matarás

Ouvistes o que foi dito aos antigos: "Não matarás. Aquele que matar terá de responder ao tribunal". Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encolerizar contra seu irmão terá de responder no tribunal (Mt 5,21-22).

Este tópico é uma continuação da temática sobre os Mandamentos da Lei de Deus, que iniciamos neste tempo da Quaresma.
Para uma visão geral sobre os Mandamentos diante do Evangelho, recomendamos, mais uma vez, a leitura do tópico concernente ao Primeiro Mandamento, já postado neste blog.
Sobre o Quinto Mandamento da Lei de Deus – Não Matarás –, transcrevo excertos de um longo ensinamento de Jesus sobre o tema, contido nas suas revelações feitas a Maria Valtorta. Nos trechos abaixo reproduzidos, veremos, dentre outras questões, as razões para a encarnação do Verbo, as implicações decorrentes da ofensa ao Quinto Mandamento, os pecados a ele associados, o absurdo do aborto, enfim, um pecado contra o primeiro e o segundo grupo dos mandamentos, pois atinge a Deus e ao próximo.
Passemos, pois, diretamente, às palavras de Cristo:

        "Não matar", foi dito. A qual dos dois grupos de mandamentos pertence este? "Ao segundo", direis vós? Estais certos disso? Eu vos pergunto ainda: é um pecado que ofende a Deus ou ao atingido? Vós dizeis: "Ao atingido". Também disto tendes certeza? E vos pergunto ainda: será somente um pecado de homicídio? Matando, cometeis so­mente este único pecado? "Este só", dizeis vós? Ninguém tem dúvidas sobre isso? Dizei em voz alta vossas respostas. Que um de vós fale por todos. Eu espero.
         [...]
        Ao medir uma culpa, é preciso pensar nas circunstâncias que a precedem, preparam, justificam, explicam. "Quem eu feri? Que coisa eu feri? Onde eu feri? Com que meios eu feri? Por que eu feri? Como eu feri? Quando eu feri?": isto deve-se perguntar, antes de apresentar-se  a Deus para pedir-lhe perdão, aquele que matou.
        Quem eu feri? Um homem.
        Eu digo: um homem. Não estou pensando nem considerando se ele é rico ou pobre, se é livre ou escravo. Para Mim não existem escravos ou poderosos. Existem somente homens criados por um Único, por isso todos são iguais. De fato, diante da majestade de Deus, é pó até o mais poderoso monarca da terra. E aos seus e aos meus olhos, só existe uma escravidão: a do pecado e, portanto, de Satanás. A Lei antiga distingue os livres dos escravos e tem a sutileza de distinguir entre o matar com um golpe e o matar deixando a vítima sobreviver um dia ou dois e, assim, se a mulher grávida é levada à morte pelas pancadas, ou se foi morto somente o seu fruto. Mas isto foi dito, quando a luz da perfeição ainda estava longe. Agora ela está entre vós e diz: "Qualquer um que ferir de morte a um seu semelhante, peca". E não peca somente contra o homem, mas também contra Deus.
        O que é o homem? O homem é a criatura soberana, que Deus criou para ser o rei da criação, criado à sua imagem e semelhança, dando- lhe a semelhança segundo o espírito e a imagem, tirando esta imagem do seu pensamento perfeito. Olhai para o ar, para a terra e para as águas. Porventura vedes algum animal, ou alguma planta, que, por mais belos que sejam, cheguem a se igualar o homem? [...]
         [...]
         [...] Estão com Deus os que criam ou produzem coisas boas. Estão contra Deus os que criam coisas más, que prejudicam ao próximo, Deus, se vinga por seus filhos que foram torturados pelo mau gênio humano.
        O homem é, portanto a criatura predileta de Deus. Ainda que agora seja culpado, é sempre o que lhe é mais caro. E o que testemunha isso é ter-lhe mandado o seu próprio Verbo, não um anjo, não um arcanjo, não um querubim, não um serafim, mas o seu Verbo, revestindo-o da carne humana, para salvar o homem. Não achou indigna Dele essa veste, que tornava passível de sofrer e expiar Aquele que, por ser como Ele puríssimo Espírito, não teria conseguido sofrer e expiar a culpa do homem.
        O Pai me disse: "Serás homem: o Homem. Eu havia feito um. Perfeito, como tudo o que Eu faço. Para ele estava destinada uma vida doce, um dulcíssimo adormecer, um feliz despertar, uma felicíssima permanência eterna no meu Paraíso celeste. Mas, Tu o sabes, nesse Paraíso não pode entrar o que está contaminado, porque nele Eu-Nós, uno e trino Deus, temos o trono. E diante dele, não pode haver senão santidade. Eu sou Aquele que sou. A minha Natureza divina, a  nossa misteriosa Essência, não pode ser conhecida senão por aqueles, que são sem mancha. Agora o homem, em Adão e por Adão, está sujo. Vai, limpa-o. Eu quero. Tu serás, de agora em diante, o Homem. O Primogênito. Porque serás o primeiro a entrar aqui com carne mortal, livre do pecado, com alma livre da culpa de origem. Aqueles que te precederam na terra e aqueles que virão depois de Ti terão vida  pela tua morte de Redentor". Não podia morrer senão alguém que houvesse nascido. Eu nasci e Eu morrerei.
        O homem é a criatura predileta de Deus. Agora, dizei-me: se um pai tem muitos filhos, mas um deles é o seu predileto, a pupila de seus olhos, e este vem a ser morto, aquele pai não sofre mais do que se tivesse sido morto um outro filho? Isto não deveria acontecer, porque o pai deveria ser justo com todos os seus filhos. Mas acontece porque o homem é imperfeito. Deus o pode fazer com justiça porque o homem é a única criatura, entre as outras, que tem em comum com o Pai Criador a alma espiritual, sinal inegável da paternidade divina.
        Se a um pai se lhe mata o filho, ofende-se somente ao filho? Não. Também ao Pai. Na carne se ofende ao filho, no coração ao pai. Em ambos se produz a ferida. Matando um homem, ofende-se somente o homem? Não. Também a Deus. Na carne, ao homem, no seu direito a Deus: Porque a vida e a morte só por Ele podem ser dadas ou tiradas. Matar é fazer violência a Deus e ao homem. Matar é penetrar no domínio de Deus. Matar é faltar ao preceito de amor. Quem mata não ama a Deus, porque destrói uma de suas obras: um homem. Quem mata não ama o próximo, porque tira do próximo aquilo que o matador quer para si: a vida.
         [...]
        Se eu mato o fruto junto com a mãe, eis que Deus pedirá conta dos dois. Porque o ventre, que gera um novo homem, segundo o mandamento de Deus, é sagrado, e sagrada é a pequena vida, que nele está amadurecendo, à qual Deus deu uma alma.
         [...]
        E agora, escutai vós, ó mulheres, caladas e impunes assassinas de tantas vidas. Também é matar arrancar um fruto que está crescendo no ventre porque ele vem de uma semente culposa ou porque é um embrião não desejado, um peso inútil para os vossos flancos e para a vossa riqueza. Só tendes um modo de não sentir aquele peso: permanecendo castas. Não unais o homicídio à luxúria, a violência à desobediência e não pensais que Deus não vê, porque o homem não vê. Deus tudo vê e tudo se lembra. Lembrai-vos disso, vós também.
         [...] E se ainda Deus pode perdoar a quem, na febre da dor se torna um assassino, não perdoa a quem se torna assassino pela avidez do poder ou de estima entre os homens.
        Agi sempre bem e não temereis o olhar de ninguém, nem a palavra de ninguém. Contentai-vos com o que é vosso e não desejareis o que é dos outros, a ponto de tornar-vos assassinos para terdes o que é do próximo.
         [...]
        Vós estais vendo que, matando, se peca contra o primeiro e o segundo grupo dos mandamentos. Porque vos arrogais o direito de Deus e porque conculcais o próximo. Portanto, pecado contra Deus e contra o próximo. E fazeis, não apenas um pecado de homicídio. Fazeis também um pecado de ira, de violência, de soberba, de desobediência, de sacrilégio e às vezes se matais para roubar um posto ou uma bolsa, de cobiça. Nem, Eu apenas vo-lo digo, mas vo-lo explicarei melhor em outro dia, nem se peca por homicídio somente com a arma e o veneno. Mas também com a calúnia. Meditai.
        E vos digo ainda: o patrão que, batendo em um escravo, o faz com astúcia, para que ele não morra em suas mãos, é duplamente culpado. O homem escravo não é dinheiro do patrão: é alma do seu Deus. E maldito seja para sempre quem o trata pior do que a um boi.
        Jesus parece estar soltando faísca e troveja. Todos o olham espantados, porque antes Ele falava calmo.
         [...] O bem não entra onde existe saturação do mal.
         [...] Pois em verdade vos digo que todo justo é um Abel, mesmo se estiver submetido a grilhões, mesmo se estiver morrendo sobre a gleba ou sangrando, por causa de vossas flagelações, e que são Cains todos os injustos, que fazem ofertas a Deus por orgulho, não por um ato de verdadeiro culto, mas oferecem o que está poluído pelos seus pecados e manchados de sangue.
        Profanadores do milagre. Profanadores do homem, assassinos, sacrílegos! Fora! Longe da minha presença! Basta! Eu digo: basta. E dizer isso Eu posso porque sou a divina Palavra que traduz o Pensamento divino. Fora!.
(Valtorta, Maria. O Evangelho como me foi revelado. Isola del Liri - Itália: Centro Editoriale Valtortiano, 2002. v. 2. p. 300-307)

O Quinto Mandamento é objeto dos parágrafos 2258 a 2330 do Catecismo, onde encontramos excelentes considerações da Igreja concernentes a diversos e polêmicos temas, como a legítima defesa, o aborto, a eutanásia, o suicídio, o escândalo, a busca pela paz, dentre outras questões abordadas, as quais, dada a profundidade com que são tratadas, recomendamos a leitura (há um link para o Catecismo neste blog).
Isso é importante diante da conjuntura política pela qual passa o Brasil, que já possui, como todos sabem, um “Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3” (Decreto 7.037 de 2009) onde estão consignados vários preceitos frontalmente contrários aos valores cristãos, dentre os quais nos limitamos a citar por ora (para não fugir do tema) a tentativa de legalizar o aborto de forma incondicional, conforme teor da alínea "g" do "Objetivo estratégico III" da "Diretriz 9", abaixo transcrito:
"g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos"
Felizmente, por pressão da Igreja Católica e dos Evangélicos, a redação acima foi posteriormente alterada para a seguinte: "considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde".
Fiquemos atentos!
Que Deus abençoe a todos!
Francisco José

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